Corrida Internacional de São Silvestre 2015 - 15km

São Paulo (SP), 31 de Dezembro de 2015. 


...mas não gastes o coração, que há maiores 
surpresas na vida...

(Machado de Assis)


 Para sempre


2015.. o ano para lembrar e esquecer... o ano de emoções, surpresas e perdas.

Devo dizer que a São Silvestre tem um lugar especial em meu coração. Ela foi a responsável por esse blog.

Em 2015 fiz inscrições de algumas provas que acabei não participando, como foi o caso na Corrida da Ponta do Papagaio, Meia Maratona de Balneário Camboriú e o Desafrio em Urubici.

No começo do ano, aceitei a proposta para trabalhar em uma grande construtora, que figurava em 2015, entre as 20 maiores do Brasil. O cronograma das obras e viagens constantes pelo litoral catarinense, eram bastantes desgastantes o que me fizeram abandonar os treinos de musculação e corrida, mas ao mesmo tempo um grande passo profissional havia realizado.

O ano começou com conquistas... e perdas... a primeira, ocorreu no início do ano, com o falecimento da avó da minha esposa; Dona Valdemira, mulher íntegra, afetuosa, com um carisma de encher os olhos quando sorri, mãe e vó exemplar. De voz tranquila, serena e sábia. Saudades que deixou para filhos, netos, bisnetos e para minha esposa, que a tinha como uma segunda mãe.

Com o meu casamento aproximando e as viagens constantes à trabalho, a corrida foi ficando de lado... mas lembrava o que minha mãe sempre falava: "Filho... você é novo, e um dia você vai poder voltar a correr, é só uma questão de momento. Esse momento é dar atenção ao trabalho e a uma nova família que vai surgir."

Em agosto casei. Uma sensação de emoção que começou com o pedido de casamento na Maratona de Santa Catarina em 2014.

15 dias depois do meu casamento, minha mãe faleceu do coração.

Força. Fé e Tempo... Tempo para entender, Tempo para curar, Tempo para recuperar... uma dor sem igual. Sem palavras.

Uma surpresa que a vida traça... que é natural, que é certa... mas que não precisava ser tão cedo, porém, o futuro tem por ofício, ser incerto.

Fiz questão de participar da São Silvestre em 2015. Sabia da sensação que essa prova proporcionava. Das lembranças que eu teria do ano, em cada km que percorresse.

Eu e Dani, fizemos uma singela homenagem à Dona Valdemira e a Minha Mãe, Dona Olga.

Dani correu com a imagem da sua avó estampada na camiseta.

Eu com a da minha mãe. 

Demorei para escrever esse relato... primeiro sem saber por onde começar e segundo, porque não consigo ainda descrever o que senti nessa prova. 

A imagem que tinha da São Silvestre, sempre foi de uma prova de celebração e festa... mas agora estava correndo em silêncio.

Percebi que era preciso respeitar essa prova, além dos que corriam festejando, observei ao meu lado, que vários corriam em silencio como eu, alguns pagando suas promessas, agradecendo os seus santos, amuletos, patuás, sua fé. Seja descalço, seja com uma mensagem na camiseta, cartazes, bandeiras. ou agradecendo ao ceú, balbuciando palavras de insuspeição de seus dogmas.

Lendo sobre a história do Santo São Silvestre, compartilho esse pequeno trecho de sua oração, que corrobora com o que minha mãe sempre ensinou, mas com outras palavras:

."..não nos deixeis acomodar em nossas posições conquistadas, [... ]criai no homem um coração novo!"
Momentos antes da largada.




Pórtico da largada.













Comentários

  1. A mais intensa, a mais importante conquista de nossas vidas.
    2015 foi sim um ano intenso, de realizações como o casamento, mas de perdas como da vó e da sogra..
    Juntos corremos, juntos agradecemos e homenageamos elas, incríveis, lindas e puras.

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  2. Olá Marcelo. Belo relato e homenagem .
    Espero que ainda esteja correndo. Grande abraço e obrigado pela visita ao meu blog.


    Att, Tutta Maratonista
    www.correndocorridas.blogspot.com.br

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